Alienação parental.  Tempo de leitura 2 min

A presente reflexão é fruto de alguns pedidos, e principalmente do volume de situações que tive a chance de acompanhar e dar assistência em consultório. Quando o assunto é a criança e seu contexto familiar, precisamos, além de outras sutilezas, considerá-la como um ser reativo e buscar o máximo possível de compreensão sobre suas vivências.

Tratando-se de casal separado ou em processo de separação, a situação pode se tornar bem delicada, especialmente quando uma das partes perde o prumo ou age de maneira inconsequente.

 

MAS AFINAL, O QUE É ALIENAÇÃO PARENTAL?

Em suma é quando, em caso de separação, um dos genitores induz, provoca ou estimula na criança/jovem um sentimento negativo pelo outro genitor. Geralmente, um dos pais, por sentir-se abandonado ou rejeitado pelo outro, manipula o filho para que desenvolva a mesma revolta. Normalmente esta ação inicia-se sutilmente, com “inofensivos” comentários e críticas sobre o outro. Em quase todos os casos, estas ações evoluem para comportamentos cada vez mais perversos do alienador, tais como: impedir encontros e visitas, omissão de fatos relevantes da vida da criança, criação de versões pejorativas sobre o alienado e até ameaças…

 

E AS CONSEQUÊNCIAS??? DE-SAS-TRO-SAS!

A saúde física e emocional das crianças que vivem sob esta tortura torna-se imensamente fragilizada, gerando problemas como distúrbios de várias naturezas, comportamentos excessivamente contidos ou eufóricos, problemas com a atenção e concentração e até, em casos extremos, o desenvolvimento de posturas delinquentes. Como exemplo, o uso e a dependência de substâncias químicas (álcool e outras drogas), na busca de  “alívio” à dor e “auxílio” na lida diária com este verdadeiro massacre.

Diante de tanto estrago, é importante ponderarmos sobre o uso destas informações. Antes, não se falava deste assunto e a questão era velada, não dita e, consequentemente não tratada. Atualmente, vê-se a Alienação Parental discutida em novelas, programas de entrevistas na TV e na Rádio… Sim! Parece ótimo que o assunto esteja sendo discutido. Afinal, é um convite aos pais para que reflitam e racionalizem mais suas escolhas. Porém, junto disso,  ganhamos uma carga de BANALIZAÇÃO e MODISMO; O assunto torna-se comum nas mídias e quem o pratica se reconhece diante dos múltiplos históricos parecidos, o que acaba por autoriza-lo a continuar. “Não sou o único que faço isso.” Por outro lado, quem ainda não o faz, começa a ver exemplos contínuos circulando nas mídias e considera como uma saída possível, passando a adotar as mesmas atitudes. “Vou tentar este recurso, já que tem tanta gente fazendo.”

Temos ainda a vertente jurídica. Que não saberei explanar como uma especialista, mas que devemos considerar. Pois gera decisões e encaminhamentos ainda mais desgastantes e radicais, quando confirmada a alienação. Medidas legais protetivas (e necessárias) podem deixar um rastro ainda mais invasivo na história do sujeito.

 

Enfim, a reflexão que desejo deixar hoje é sobre a responsabilidade dos pais independente da continuidade ou fim da vida conjugal.

NÃO à Alienação Parental!

NÃO, filhos não são responsáveis, tampouco culpados, pela incompatibilidade do casal.

NÃO, filhos não merecem esta agressão.

NÃO, filhos não seguram casamento.

NÃO, filhos não trazem a pessoa amada de volta.

NÃO, pais não têm direito de inserir os filhos no caos de suas escolhas.

NÃO. Já deu!

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Ana Paula Alves Rodrigues
Psicóloga e psicopedagoga

Psicóloga | CRP 04/27.452

Graduada em Psicologia e pós graduada em Psicopedagogia e Psicologia da Educação. Estudiosa da Infância. Atua com intervenção e escuta às crianças, Orientação de pais e Formação de Professores de Ed. Infantil em Belo Horizonte - MG.

Contatos: 31. 98226-5005 ou 3261-1079

apaularodrigues@yahoo.com.br