Amizade    Tempo de leitura ~2 min~

O escritor francês Michel Tournier escreve que não pode haver amizade sem reciprocidade. Ao contrário do amor, não é possível sustentar o lugar da amizade se o outro se recusar a ser amigo de volta. Um dito social interessante sobre o tema é que a “afinidade aproxima as amizades, mas é a reciprocidade as mantém”.

Não é incomum ouvirmos jovens adolescentes falarem repetida e queixosamente de seus ‘amigos’ e narrarem suas histórias de traições, intrigas e injustiças. Isso sempre me coloca a pensar, não seria incrível se a gente tivesse o ‘poder mágico’ de medir ou saber distinguir uma amizade verdadeira de uma falsa?

Relacionar-se seria muito mais simples, não é verdade? Saberíamos quem merece estar presente em nossos melhores momentos e a quem confiar nossos maiores segredos. Certamente, saberíamos mais da política do mundo e do mundo da política.

Como não temos – infelizmente – tais relações “falsas” vão se sustentando até o momento em que aprendemos a diferenciar os amigos dos colegas. Quando finalmente entendemos que não é possível uma amizade sem reciprocidade. A quantidade agora dá espaço para a qualidade da relação. Algo mudou. Há um amadurecimento, o estabelecimento de novas representações e novas identificações.

 

A amizade precisa suportar diferenças extremas

Flávio Gikovate citou em um de seus textos sobre ‘como definir a amizade’, alguns critérios que costumamos usar para estabelecer elos relacionais: “afinidades de caráter, gostos, interesses e, é claro, aquela simpatia pelo jeito de ser um do outro que é tão encantadora e tão difícil de ser definida”. Mas, também, a amizade precisa suportar diferenças extremas, o inusitado e a adversidade. As amizades são feitas, também, de momentos de  disputas, conflitos, desavenças, discrepâncias, divergências e oposições.

Como já dissemos, a amizade é um bem precioso e, como tudo que é valioso, é bastante raro! Amizade verdadeira é aquela que nos proporciona o raro prazer de poder estar com alguém, sendo nós mesmos. Sem máscaras, sem proteções, sem joguinhos, ser do jeito que se é, espontaneamente. E, é bom lembrar que nós somos bem bagunçados na maior parte do tempo! Ou seja, existe um genuíno respeito do amigo pelo o que nós somos.

Podemos dizer que a marca registrada da amizade saudável é a espontaneidade. O amigo é aquele que gosta de nós como somos, sem que seja necessário colocar as máscaras para fingir sermos mais interessantes, inteligentes ou perfeitos. Somos como somos e está tudo bem! Imperfeitos e bagunçados, mas nossos amigos verdadeiros nos amam assim mesmo!

as amizades são as pontes que unem as ilhas de individualismo e isolamento que caracterizam a vida moderna.

À um verdeiro amigo não é necessário explicar muitas coisas. Ele nos conhece, sem muitos rodeios, sabe do que estamos falando — mas, se não sabe, busca ouvir — e o sabe que estamos sentindo, mas quando não sabe, apenas respeita nosso sentir. Adora compartilhar nossos sonhos, conquistas e chora e vibra em nossos momentos difíceis. Tira sarro dos nossos defeitos, sem nos diminuir.

 

Mas, cuidado, amizade verdadeira nunca é interesseira.

O verdadeiro amigo está conosco pelo prazer de estar conosco. Nunca o verdadeiro amigo subordina amizade à uma condição, a amizade honesta é gratuita. Quem age dessa forma vai perder o amigo, que se sentirá usado.

Apesar de muitas opiniões contrárias, é possível uma amizade verdadeira entre homens e mulheres sem que a amizade se torne um envolvimento romântico. Estamos falando da possibilidade de estar com outro sem querer usá-lo. Estamos falando do terceiro ponto: a gratuidade!

Aliás, a possibilidade de dizer e ouvir um ‘não’, confirma quem realmente é um amigo.

Todos temos dificuldade quando se trata de dosar a medida de amizade. O quanto ofertamos? Ou o quanto estamos recebendo? Às vezes nos frustramos e nos surpreendemos com os amigos, sabe porquê? Amigos falham, tem defeitos! São imperfeitos, erram, fazem lambança… Mas, na maior parte do tempo, na amizade verdadeira percebemos que há: reciprocidade, espontaneidade, gratuidade e afeto.

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Psicóloga Júlia Belo Horizonte
Júlia Maria Alves

Psicóloga | CRP 04/30.282

Graduada pela UFMG e pós-graduada em Gestão de Pessoas pela Fundação Dom Cabral. Atua na Diálogo com Psicoterapia de Adultos e Idosos; Orientação profissional e de carreira. Experiência nas áreas de Psicologia Organizacional, atuando com Gestão do Relacionamento e Desenvolvimento de Gestores.

Contatos: (31) 98590-2535 | julia@dialogopsi.com.br