Todos os dias somos expostos a situações nas quais precisamos tomar decisões. Aceitar comprar algo, fazer favores,  uma função extra no trabalho, emprestar dinheiro… Precisamos nos posicionar todos os dias. Saber dizer não para as situações ou atitudes que nos desagradam é fundamental para ter equilíbrio psíquico e relações mais saudáveis.

Por outro lado, é muito comum observarmos nas pessoas muita dificuldade em expressar suas reais vontades. Alguns não falam NÃO nem quando estão sendo prejudicados. Frequentemente, se colocam em dilemas éticos, sendo incoerentes com seus próprios valores e princípios.

 

REGRA DA BOA CONVIVÊNCIA: SIM É SIM! NÃO É NÃO!

Muitos pensam que, ao negar um pedido, estão agredindo ou afastando o outro de si. Não percebem (ou ignoram) que quando atendemos todos os desejos de alguém, nos escravizamos e criamos uma relação unilateral. Onde apenas um lado se satisfaz. Ou seja, se nossos desejos forem compatíveis, também serei atendido nessa relação e fica tudo bem. Porém, se nossos desejos divergirem, estarei constantemente insatisfeito.

Em algumas situações, por mais que não queiramos fazer algo, escolhemos fazê-lo por consideração ou para ajudar alguém que nos é especial. Isso é perfeitamente saudável, pois é uma escolha pessoal. Afinal, também é importante saber ceder e ajudar. O problema surge quando essa conduta se torna recorrente. Ceder sempre às vontades alheias, negar as suas próprias e se colocar repetidamente em segundo plano.

Essas pessoas com dificuldade de autoafirmação tendem a se sentir feridas, frustradas e ansiosas e, em longo prazo, com raiva de si mesmas ou dos outros.

 

PORQUE É TÃO DIFÍCIL DIZER NÃO?

Mudar esse padrão não é simples, pois essa dificuldade pode estar enraizada em outras crenças. Por exemplo, as inúmeras faces do medo. Não contrariar por medo de magoar, perder, decepcionar ou até mesmo, medo de ter como resposta uma reação agressiva ou represália da outra pessoa. O medo é um dos principais inimigos das mudanças.

A culpa é outro motivo que nos leva a dizer ‘sim’ sem querer. Ao negar um pedido, seu interlocutor pode mostrar-se triste e frustrado. É bem possível que isso ocorra. A culpa surge como uma crença de que sou causador de um dano indevido na pessoa. Ignorando que eu tenho legítimo direito àquele ‘não’ e que não sou obrigado a satisfazer todas as vontades do outro.

Uma observação, cuidado! Também existem os oportunistas, que identificam essa culpa e passam a manipulá-la para ter seus desejos atendidos. Abusando dos pares de maneira egoísta.

Outro motivo também bastante comum, porém mais difícil de ser identificado é a vaidade. Dizer o sim para os pedidos alheios me coloca em uma posição de ‘querido’, ‘bonzinho’ ou ‘reconhecido’, em contrapartida, dizer não pode significar que não sou uma pessoa tão boa ou egoísta. Este “Sim falso” é dito com orgulho por mais que, internamente, nos magoe, até que, em determinado momento essa pessoa perceba que passou uma vida dedicada aos outros ou se perceba negligenciada nas relações.

 

É PRECISO MUDAR! FALAR CURA!

Quem foge do não, na verdade, está fugindo de se posicionar e estabelecer vínculos mais íntimos e saudáveis. Ao me posicionar permito que o outro me conheça integralmente, incluindo os meus limites pessoais.

Qualquer processo de mudança envolve desconforto, esforço, foco e compromisso. Precisamos aprender a defender nossos próprios interesses e ter a compreensão de que, desde que respeitados os limites dos outros, não há nada de errado em se posicionar.

Tornar-se mais assertivo significa expressar espontaneamente pensamentos e sentimentos sinceros. Significa compreender (e respeitar) seus próprios limites e valores e negar-se a qualquer coisa que considerar inadequado. Dizer não na hora certa e de maneira correta, sendo coerente consigo mesmo e sem agredir as pessoas.

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Sobre o autor:

Psicóloga Júlia Belo Horizonte
Júlia Maria Alves
Psicóloga na | + posts

Psicóloga | CRP 04/30.282
Graduada pela UFMG e pós-graduada em Gestão de Pessoas pela Fundação Dom Cabral. Atua na Diálogo com Psicoterapia de Adultos e Idosos; Orientação profissional e de carreira. Experiência nas áreas de Psicologia Organizacional, atuando com Gestão do Relacionamento e Desenvolvimento de Gestores.
Contatos: (31) 98590-2535 | julia@dialogopsi.com.br