Luto  Tempo de leitura ~1 min~

Luto é o tempo necessário para a mente entender o sentimento de perda que o coração já sente.

Ainda hoje, em plena pós-modernidade, separamos o viver e o morrer.

Embora saibamos que a maior certeza é a de que um dia iremos morrer,. como o senso comum repete, ainda é um tabu falar de morte e perdas,. como se deixassem de existir por tentarmos ignorar.

O fato é que para muitas questões em nossas vidas, não há como se preparar. Certas experiências e dores só tomam a devida proporção quando sentidas, e o sentir é subjetivo. Cada um viverá de formas e intensidades suas dores, bem como seus amores.

Como diz Milan Kundera (1984) em A Insustentável Leveza do Ser; Vive-se tudo pela primeira vez num eterno ensaio, todos os momentos são vividos pela primeira e única vez, até que a “peça final” é concluída com a morte. Uma presença ausente durante toda a vida do indivíduo.

Viveremos e sofreremos inúmeras vezes as dores da perda, algumas reais, como a morte, outras simbólicas, como as fases da vida: infância – adolescência, adolescência – mundo adulto, mundo adulto – velhice; rompimentos afetivos; empregos; condição social; etc…. Os contextos culturais e religiosos influenciam as visões e as formas de vivenciar esses momentos.

Luto: Um Novo Lugar para sua história

Luto: Um Novo Lugar para sua história

Conforme Freud, o mito da imortalidade tem serventia para todos, pois é necessária uma sustentação emocional para vivermos.

O mais coerente é que eduquemos as novas gerações de modo que elas saibam enfrentar o viver e o morrer de forma mais serena e menos angustiante,. assim como a vivência do luto seja permitida e elaborada por todos que passam pela inevitável dor da perda.

O processo terapêutico do luto tem como base a vivência e a elaboração da perda. De forma que a dor seja sentida e respeitada, cada qual no seu tempo e intensidade. Para vivenciar esta dor é necessário um enfrentamento por parte do enlutado. Sentir a dor, mas não apegar-se à ela. Falar da dor, mas com uma escuta baseada no acolhimento necessário para que ela seja então elaborada adequadamente.

Importante ressaltar que o momento em que a dor vai amenizando, não significa um desrespeito à pessoa ou à história que se viveu, mas sim que um novo lugar está sendo construído para que essa história permaneça fazendo parte das nossas vidas, sem causar danos às demais que estarão por vir.

Manter o luto além do tempo necessário de cada um é limitar as tantas possibilidades que a vida irá nos propor.

É travar uma batalha contra o fluxo natural da vida, que é movimento, que são chegadas e partidas, fins e recomeços…

Um processo de luto bem elaborado fará você se surpreender ao se ver fazendo novos planos, enxergando novas possibilidades e voltando à rotina da sua vida. A dor não será esquecida, mas adequadamente elaborada. e guardada em outros “compartimentos” seu coração, de forma que ele volte à pulsar saudável e com vida. Permita-se!

Sobre o autor:


Andreia Rodrigues | Psicóloga | CRP 06-85.683 |  

Psicóloga Clínica – Psicoterapia individual adolescente e adulto  ou casal. Terapia do Luto. Pesquisadora USP, formada em Tanatologia (lutos e perdas). Curso de Extensão na PUC -SP em Psicologia e Informática, abordando diversos temas como Relacionamentos Virtuais, Games, entre outros. Capacitada em Neurobiologia da Ansiedade, Terapia de Casais, Sexualidade Normal e Patológica, Transtornos de Personalidade, Grafologia, Saúde Mental da Mulher, entre outros. Coautora do livro “Tanatologia – Temas Impertinentes”, Org. Aroldo Escudeiro, LG Edit. e Gráfica – 2011 “, com o tema “Quando o amor adoece“. Acompanhamento terapêutico individual ou em grupo para pessoas com Medo de Dirigir, com Instrutor Credenciado para Aulas Práticas em veículo adaptado, somente para Habilitados.

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