mentiras dos filhos  Tempo de leitura ~3 min~

“Mentiras dos filhos” / Por Anita M. Schimizzi, Ph.D.

Porque tantas crianças passam por uma fase de mentiras? Ou, muitas vezes, mais do que uma fase. Há um tempo postei algumas pesquisas sobre mentiras em crianças. Uma explicação muito breve do estudo foi que as crianças mentiam com mais frequência e mais efetivamente quando o castigo estava em vista.  Este texto é, justamente, para falar sobre maneiras de entender e lidar com as mentiras dos filhos.

 

POR QUE A MENTIRA NOS IRRITA TÃO TERRIVELMENTE?

Bem, como adultos e pais, sabemos que a honestidade é fundamental para relacionamentos saudáveis, ter integridade e resolver problemas. Sabemos que a desonestidade pode trazer um monte de problemas interpessoais, acadêmicos, legais e/ou profissionais. E ninguém quer isso para seus filhos. Agora, vejamos os nossos objetivos para enfrentar a desonestidade do nosso filho:

  1. Primeiro, queremos saber a verdade e queremos que nossos filhos possam compartilhá-la facilmente.
  2. Em segundo lugar, queremos que eles consigam corrigir seu comportamento quando afetar alguém. Que eles não falhem com a verdade ou fujam de assumir responsabilidade por isso.
  3. E em terceiro lugar, queremos que possam aprender com seus erros. E, se eles não podem ser honestos sobre esses erros, então a aprendizagem também é perdida.

Você provavelmente pode adicionar muitos outros objetivos a esta lista. Para esta publicação, vou me concentrar nos três acima. Então, como podemos abordar as mentiras dos filhos, mantendo esses três objetivos em mente?

 

1 – OBTENDO A VERDADE

Vamos começar com o primeiro objetivo: obter a verdade. Este simplesmente demanda uma boa dose de bom senso. Se nossos filhos nos temem, têm medo de serem punidos, temem o sermão, etc., então eles serão menos propensos a jogar limpo. No livro “Parenting with Love & Logic”, os autores falam sobre o erro cometido pelos pais ao afirmar que será melhor dizer a verdade e, assim que a verdade é dita, punir prontamente a criança (p. 198-199). A lição aprendida? Não diga a verdade.

Em vez disso, os pais podem convidar a criança a dizer a verdade e agradecer quando disser. Reconhecer que provavelmente era difícil dizer isso e depois passar para o segundo objetivo: corrigir ou responsabilizar na proporção que a situação exigir.

Vou explicar em seguida, mas gostaria de falar um pouco mais sobre o primeiro objetivo. Por que, provavelmente, haverá momentos em que seu filho simplesmente insistirá em sustentar uma mentira. Muitas vezes, isso ocorre porque seu filho foi colocado em uma situação em que ele pode se sentir obrigado a mentir. Algo que Ginott chamou de “mentira provocada” (Ginott, H.G. – 2003 / p. 65-71). Aqui estão algumas coisas a considerar: tons acusatórios, declarações e/ou perguntas provavelmente resultarão na mentira que está sendo defendida. E mais uma coisa a considerar aqui: se você sabe a verdade, não finja que não sabe. É mais produtivo para todos se você simplesmente declarar a verdade e depois passa para o “sermão”.

 

2 – CORRIGIR SEU ERROS

Agora, corrigir os erros. Aqui está uma oportunidade para as crianças assumirem a responsabilidade pelo seu comportamento e pode ser feita de forma a que a criança se ocupe de fazer a coisa certa. Quantos de nós dissemos essas palavras aos nossos filhos: “Agora diga que sente muito” e então, o que nós geralmente recebemos? As desculpas vazias, as desculpas humilhadas, as desculpas cheias de ressentimento ou algum outro tipo de desculpas que simplesmente não ajudam no domínio da construção do caráter.

Aqui está outra maneira de abordar a situação: “Ok, então você quebrou o quadro quando estava jogando a bola. Você provavelmente estava muito preocupado com o que eu faria quando descobrisse. Bem, como você pode melhorar esta situação? “Fazer com que a criança surgira e execute um plano muitas vezes pode produzir resultados surpreendentes. E se a criança se esforçar para criar um plano, então você pode fazer uma oferta simples: “Deixe-me saber se você gostaria de ajuda para encontrar idéias”. Esta abordagem permite que seu filho permaneça no banco do motorista (porque, em última análise, queremos que eles mesmos assumam a responsabilidade), enquanto também possuam um recurso sábio para receber ajuda caso precisem: Você.

 

3 – APRENDER COM OS ERROS

Juntando o objetivo um e o objetivo dois, cumprimos o objetivo três: aprender (e aprender as mensagens que realmente queremos que elas aprendam). Permitimos a nossa criança a oportunidade de aprender que dizer a verdade é benéfico e que os erros podem ser feitos e corrigidos. Verdade, nossos comportamentos podem ter consequências que não podem ser desfeitas, mas pelo menos estaremos colocando nosso filho no caminho de fazer tudo o que puderem para melhorar as coisas.

Uma última coisa: quando você tiver um momento para se conectar com seu filho depois que a poeira mentirosa se assentou, pode ser uma boa ideia ter uma ‘conversa de coração’. Este é um bom momento para recompensar o seu filho por dizer a verdade e para falar sobre porque a honestidade é importante, bem como alguns dos motivos que as pessoas mentem. Essa conversa pode ser uma maneira de ajudar seu filho a se entender um pouco mais, e não sentir que algo está inerentemente errado com ele. Como sempre, esta conversa não significa palestra.

Significa falar algo assim:

Eu quero dizer-lhe novamente o quão orgulhoso estou agora que você me disse a verdade sobre perder meu relógio. Eu sei que posso ficar muito bravo quando você perde minhas coisas e ficar ainda mais nervoso quando descubro que você não é sincero comigo. Por isso sei que teve muita coragem!

Como alguém que te ama muito, preciso dizer algo sobre você dizendo a verdade. Eu sei o quão importante é ser honesto com as pessoas para que elas possam confiar em você e ajudá-lo quando você precisar. Eu entendo por que às vezes é difícil me dizer o que realmente aconteceu.

Muitas crianças têm esse mesmo medo sobre seus pais. Elas às vezes sentem-se realmente envergonhadas ou chateadas e não pensam que podem compensar o que fizeram. Eu prometo que farei o meu melhor para não perder a cabeça quando você me contar sobre algo que não é tão bom que você fez e eu realmente espero que você fique bem em me contar sobre o que está acontecendo“.

Traduzido e adaptado de: “It Wasn’t Me: How to Handle Your Child’s Dishonesty
Fontes:

  • Cline, F. & Fay, J. (2006). Parenting with love & logic: Teaching children responsibility (updated and expanded ed.). Colorado Springs, CO: Pinon Press.
  • Ginott, H.G. (2003). Between parent and child: The bestselling classic that revolutionized parent-child communication (revised and updated ed.). New York: Three Rivers Press.

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