Sobre a ansiedade  Tempo de leitura ~2 min~

Vamos falar sobre a ansiedade?

Sabe aquele friozinho na barriga quando algo importante está para acontecer? Aquela perna que não para de balançar e as mãos que se movimentam sem perceber? Estas são reações diversas da ansiedade. São normais quando acontecem de vez em quando ou em situações pontuais. Mas, quando esses pensamentos e sensações não dão trégua, pode ser um sinal de que há um distúrbio de ansiedade.

Se procurarmos nos dicionários, encontraremos as mais distintas definições: “aflição”, “angústia”, “perturbação do espírito”, dentre outros. De maneira geral, trata-se de um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivados da percepção (mesmo que inconsciente) de alguma forma de perigo, diante de algo desconhecido, ameaçador ou estranho. Ativa o Sistema Nervoso Central, não apenas em situações de medo, mas que coloca o corpo preparado para uma reação emergencial, inclusive lutar ou fugir.

O que é ansiedade?

A ansiedade é um afeto normal e com importante função homeostática. Seu papel é alertar o organismo ante situações que podem ameaçar a sobrevivência, bem como estimulá-lo a encontrar elementos para sua subsistência. Basicamente, a ansiedade estimula a ação, a luta ou a fuga, quando há ameaças ou frustrações. A ansiedade estimula o indivíduo a entrar em ação, porém, em excesso, faz exatamente o contrário, impedindo reações.

Um adulto preparado diante de um exame vivenciará uma ansiedade normal que ativará seu sistema de alerta, facilitando que se concentre, seja criativo e resolva as questões o mais adequadamente possível. Ante uma catástrofe natural, a ansiedade adequada permitirá que o indivíduo tome rapidamente as providências necessárias para a sobrevivência e o menor dano. No entanto, existe uma tênue distância entre ansiedade normal e patológica e, com frequência, o organismo a manifesta com maior intensidade que a necessária para a tarefa em questão, ou a situação é tão traumática que a ansiedade não é contida pelo self.

Ansiedade é uma reação a um perigo percebido pela pessoa. É como um “aviso” emitido pelo corpo de que algo não está bem. Portanto, a ansiedade é uma reposta de defesa. Quando ela ultrapassa um certo limiar, em vez de auxiliar o organismo, passa a atrapalhá-lo. O estado de alerta é exagerado, o sistema neuro-hormonal se descontrola e manifestam-se receios, expectativas e preocupações em grau intenso, juntamente com sintomas de ordem neurovegetativa e agitação psicomotora.

Note que enfatizamos a palavra “percebido”, pois esse perigo pode ser real ou não, interno ou externo.

Por vezes se verifica que não existe qualquer fato real a ser enfrentado, sendo a ameaça imaginária e decorrente do funcionamento inconsciente. Quando a ansiedade aumenta (seja qual for o perigo percebido) e irrompe de forma abrupta, engolfa o indivíduo, tornando-o aterrorizado e impotente, bloqueando sua capacidade de pensar e reagir.

Adaptado de: ROOSEVELT, M. Cassorla S. Abordagem Psicodinâmica do Paciente Ansioso. In: Eizirik, C. L. et.al. Psicoterapia de Orientação Analítica: Fundamentos Teóricos e Clínicos. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
Sintomas e Principais causas

Vimos que a Ansiedade é causada por um “perigo percebido” que pode ser real ou não, interno ou externo. Os problemas de ansiedade podem ser hereditários, mas guardam claramente sua relação com o funcionamento do corpo e às experiências de vida. Vamos explicar isso melhor.

Cada pessoa interpreta as situações de acordo com suas crenças, valores, visão de mundo e história de vida, enfim, as coisas não são interpretadas da mesma forma por todos. Qualquer coisa que seja interpretada como prejudicial pode se tornar uma situação “causadora de ansiedade”. Determinada pessoa pode ficar extremamente ansiosa diante de uma prova, por exemplo, enquanto outra pode lidar com a mesma prova de forma tranquila.

Por quê? As interpretações que foram feitas a respeito desse mesmo evento foram diferentes. A primeira pode ter interpretado a prova como um enorme “problema” ou ter a crença que não é bem sucedida ou inteligente o suficiente. Enquanto a que encarou a prova tranquilamente, pode ter considerado que essa seria uma boa oportunidade ou algo simples e rotineiro.

Existem aqueles estímulos ansiogênicos mais comuns que afetam uma grande parcela da população, como “falar em publico” ou “lidar com autoridades”. Mas, de maneira geral, tudo o que é visto como possibilidade de prejuízo, fracasso, vergonha, ou até mesmo morte, pode ser causador de ansiedade. Quando a interpretação feita é de ameaça  é produzida uma substância chamada noradrenalina, que excita o cérebro e o corpo dando reações de estimulação. A principal característica do estado ansioso é a excitação do pensamento, como uma tentativa de elaborar e calcular uma maneira de sair da situação de perigo.

As causas e a intensidade da excitação ansiosa podem variar e constituir o quadro vivido pela pessoa, que pode sentir-se ansiosa a maior parte do tempo sem razão aparente ou pode ter ansiedade em situações pontuais, mas de maneira tão intensa que a imobiliza.

A sensação de ansiedade pode ser tão desconfortável que as pessoas deixam de fazer coisas simples e cotidianas como uma tentativa de evitá-la.

Os Transtornos da ansiedade têm sintomas muito mais intensos do que a ansiedade normal do dia a dia. Para falar sobre os sintomas vamos propor uma divisão de caráter didático. A ansiedade e o medo passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados, desproporcionais ao estímulo e comprometem a qualidade de vida e o conforto emocional.

Ansiedade normal

Sintomas físicos:

  • Boca seca ou dificuldade de engolir;
  • Dores de cabeça, enjoos, vômitos e vertigem;
  • Respiração acelerada, falta de ar e transpiração;
  • Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares;
  • Dor ou aperto no peito;
  • Dificuldade de concentração e fadiga;
  • Tensão muscular, tremores, roer unhas, etc;
  • Alteração no hábito intestinal; Dor de barriga;
  • Perturbação no sono.
  • Falar muito rápido ou esquecimentos;

Sintomas emocionais:

  • Agitação (balançando os pernas e os braços);
  • Nervosismo e irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração e em relaxar;
  • Preocupação;
  • Medo; Sensação de que algo ruim vai acontecer;
  • Descontrole sobre os próprios pensamentos;
Ansiedade patológica
  • Qualquer um dos sintomas citados ao lado, de maneira persistente e causando comprometimento à vida do indivíduo.
  • Preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar).
  • Sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer.
  • Preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho.
  • Medo extremo de algum objeto ou situação em particular.
  • Medo exagerado de ser humilhado publicamente.
  • Falta de controle sobre pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente da vontade.
  • Pavor depois de uma situação muito difícil.
Tratamentos

Vamos citar dois tipos de medicação que podem ajudar a controlar e diminuir a ansiedade. O primeiro são os ansiolíticos, servem para combater o sintoma da ansiedade, mas não trabalham a causa original. Uma comparação que facilita a compreensão: Funciona como a Novalgina, atua no sintoma (febre), mas não resolve o problema original (infecção). É indicado quando o nível de ansiedade está tão alto que compromete gravemente a vida do indivíduo. Pode causar dependência e deve ser prescrito por um psiquiatra, diante de uma avaliação médica adequada.

Em seguida, temos os Antidepressivos, que aumenta o nível de energia psíquica e auxilia a pessoa a se sentir mais forte e segura, logo, menos ansiosa. Não causam dependência física, mas podem causar dependência emocional. Só podem ser vendidos com prescrição médica e tem efeitos colaterais, como a diminuição da libido.

A medicação pode e deve ser combinada com a Psicoterapia, onde as causas ou o problema original serão trabalhados.

Para controlar a ansiedade também devemos nos atentar para as menores ações do nosso dia a dia. Por exemplo, buscar uma alimentação mais saudável, incluir atividades físicas e/ou terapêuticas (ioga, meditação, chás naturais, massagens…) e até mesmo dedicar-se à atividades manuais, que distraem e alteram o nosso foco. Mudar a rotina identificada como ansiogênica pode ser uma boa alternativa.

Veja outras sugestões para que possa reavaliar sua rotina:

Identifique o que causa ansiedade ou tristeza e mude sua atitude em relação ao problema. Busque informações sobre o que está causando a ansiedade.

Respirar profunda e calmamente. Durante a crise de ansiedade, focar a atenção na sua respiração, desligando-se lentamente dos problemas causadores da ansiedade. A prática da meditação é altamente recomendada nesses casos.

Manter pensamentos positivos. Às vezes, evitar situações que remetam a pensamentos negativos ou autodestrutivos, ou até mesmo pessoas negativas, é um bom começo.

Respeitar suas limitações e, quando for preciso, peça ajuda, inclusive ajuda terapêutica.

  • Lembramos que nenhuma informação contida nesse artigo substitui a avaliação presencial de um profissional capacitado, como os citados: Psicólogo ou Psiquiatra.

Sobre o autor:


Júlia Maria Alves| Psicóloga | CRP 04-30.828 

Graduada em Psicologia pela UFMG, especializada em Gestão de Pessoas pela Fundação Dom Cabral (FDC). Atua na área de Psicologia Clínica e Organizacional, realizando Psicoterapia de adultos e idosos e Orientação Profissional para vestibulandos e na aposentadoria. 

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