O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente prevê em seu artigo 18 que todas as crianças e adolescentes têm direito à educação e ao cuidado. Vale reforçar que os cuidados com a criança são muito mais do que o simples educar, diz respeito, sobretudo, à necessidade de garantir um tratamento digno que viabilize seu desenvolvimento e crescimento saudáveis. Dever este que é obrigação, principalmente, da família.

A importância da família

A família, independente de sua configuração, tem papel essencial para o desenvolvimento sadio de suas crianças. Ela é a primeira experiência de contato social da criança, sendo, então, a referência primária de sociedade para seus jovens membros e futuros cidadãos. É no contato com a família que a criança terá, pela primeira vez, que assimilar o conjunto de regras às quais deverá se adaptar para ser reconhecida enquanto sujeito pertencente àquele grupo de indivíduos.

Os membros da família atuam como os propulsores de desenvolvimento, tanto cognitivo quanto afetivo, da criança. Além de auxiliar na aquisição das habilidades sociais, a família é importante para o indivíduo lidar com as diferenças e também com as frustrações no curso de sua vida. No que tange ao desenvolvimento afetivo, ganha importância o cuidado com a criança.

“Cuidar” tem como origem a palavra latina “cogitare”, que significa cogitar e pensar, algo que envolve pensamento ou planejamento. Cuidar de uma criança trata-se de atuar de forma bem pensada e planejada para que seu desenvolvimento se dê da melhor forma possível, garantindo que ela se sinta segura e preparada para enfrentar as adversidades da vida. A família é o ambiente em que nos sentimos seguros e amparados, é um contexto que irá nos preparar e nos fortalecer para encararmos o “mundo exterior” com seus perigos e frustrações.

Os pais, ao fazerem a mediação da criança com o contexto cultural e social em que vivem, transmitem seus valores e suas crenças e também os significados que atribuem às experiências vividas e partilhadas.

O Lugar do Pai

Por muito tempo os estudos focaram apenas na díade mãe-filho, mas é notável a importância de todos os membros da família no cuidado com as crianças, sobretudo, a importância da figura paterna. Gradativamente a nossa sociedade vem superando o paradigma de pai provedor e dando mais lugar ao pai afetuoso – cuidador. Essa mudança favorece não somente um ambiente favorável ao desenvolvimento da criança, mas também se torna um bônus para a própria relação conjugal onde se fundam os primeiros vínculos dessa criança.

 

 

E quando os pais se separam?

E quando a relação conjugal já não existe mais? Quais são as consequências para o desenvolvimento da criança?

A princípio, o término de um casamento não implica em problemas para a criança. Contudo, é muito importante deixar claro que a ruptura dos laços conjugais não significa a ruptura de nenhuma das partes com a criança. Após a separação ainda é comum que as crianças permaneçam com a mãe e o pai saia de casa ou que a criança saia de casa com sua mãe.

Quando isso ocorre, não raras vezes, alguns pais regridem ao paradigma de pai provedor, pois encerram todas as suas obrigações com a criança a partir do pagamento da pensão alimentícia e ao se encontrarem com seus filhos nos dias combinados perante a figura do Juiz. Esse pai abdica do importante ato de cuidar da criança. Ocorre em casos de relações que terminam mal resolvidas ou em que o pai e a mãe, não tendo elaborado a sua separação, passam a direcionar os problemas que têm entre si para os filhos.

Duas situações são preocupantes…

A primeira delas é o afastamento total da figura do pai, enquanto a outra, no sentido inverso, é o surgimento de uma relação simbiótica com a mãe. Em geral, ambos ocorrem de forma simultânea. As duas situações afetam o desenvolvimento da criança pela perda de referência. Se por um lado a criança perde a referência do pai com o seu afastamento, uma aproximação excessiva da mãe acaba por dificultar os processos de diferenciação, de modo que se coloca em xeque o seu desenvolvimento, não somente pelo cuidado mal executado, mas pela iminência de um fracasso na educação e fundação da identidade dessa criança.

Se você ainda não deu um presente para seu/sua filho/filha no dia das crianças, ao invés de assumir o papel do pai provedor, poderia dobrar-se ao papel de pai cuidador. Reavaliar como a sua postura pode impactar no futuro dessa criança. Acima de tudo, mesmo para os pais que não estão separados, vale a sabedoria de separar as relações conjugais das relações parentais (entre pais e filhos). Por mais difícil que possa parecer, isso certamente renderá bons frutos no futuro. Afinal, qual presente poderia ser mais valioso do que um desenvolvimento saudável?

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Sobre o autor:

Pablo Ferreira Bastos Ribeiro
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Psicólogo | CRP é 04/42.582

Graduado em Psicologia pela PUC Minas e mestrando de Psicologia Social pela UFMG. . Atua com Psicoterapia Infantojuvenil e de Família. Experiência nas áreas de Psicologia Clínica e Psicologia Social, atuando com Políticas Sociais e Urbanas.

Contatos: (31) 98738-0377 | pablo@dialogopsi.com.br

Raquel Ferreira Pacheco
Psicóloga na | + posts

Psicóloga | CRP é 04-43.625

Graduada em Psicologia e pós-graduanda em "Saúde Mental: Política, Clínica e Práxis" pela PUC-MG. Integrante do "Grupo de Trabalho em Emergências e Desastres" do Conselho Regional de Psicologia de MG (CRP-MG). Atua com atendimento clínico a adultos e crianças em Belo Horizonte - MG.

Contatos: 31. 99268-2306 | raquel@dialogopsi.com.br