emoções    Tempo de leitura ~4 min~

No último texto [Mitos sobre as emoções – parte 1] abordei como o entendimento da emoção modificou ao longo dos tempos, passando de algo imaterial a algo que poderia ser objeto de estudo de ciências, não só na psicologia e medicina, mas também de ciências mais objetivas como biologia e neurociências. Ressaltei que a emoção exerce um papel importante nas tomadas de decisão. Além de ter funções bem importantes na adaptação e regulação da vida dos indivíduos. Agora o que proponho é esclarecer:

Como a emoção pode ser usada para alcançar a qualidade de vida e das relações no nosso cotidiano.

 

NÃO HÁ EMOÇÕES BOAS E EMOÇÕES RUINS

mito-sobre-as-emoções2O primeiro ponto passa pela necessidade de entender que não há emoções boas ou ruins. Todas elas cumprem a função de serem guias para nos proteger e nos levar a tomar boas decisões (KOTSU, 2011).

A raiva, por exemplo, é de suma importância para defender que nossos direitos e limites pessoais sejam respeitados, além de suscitar a mudança ao nosso redor (THALMANN, 2015). O que pode ser bom ou ruim é o que fazemos (ou não) com as nossas emoções.

O não fazer nada com as emoções é, com certeza, a pior coisa que podemos fazer. Ignorar, tamponar a emoção e não entender o porquê de estarmos nos sentindo de determinada forma ou que mensagem está sendo transmitida é o caminho para o fracasso. Afinal, estamos impedindo que a emoção cumpra seu papel de nortear nossas ações. Assim, agimos a esmo, ao acaso ou seguindo padrões sociais ou padrões de pensamento.

Viver dessa maneira é viver sem consideração as necessidades próprias e, normalmente, pode levar a sintomas de angustia, depressão e falta de sentido na vida.

 

O QUE PODE SER RUIM É A FORMA DE LIDAR COM UMA EMOÇÃO

relacionamento abusivoComo foi dito, o que pode ser ruim é a forma de lidar com uma emoção. A emoção vem como um sinal importante que deve ser interpretado, porém temos a capacidade de agir sobre o que sentimos. Fazemos isso baseado no que é culturalmente aceito, modulando a manifestação ou a intensidade do que sentimos, muitas vezes, procurando preservar as nossas relações e nossa própria imagem.

Esse processo de adequação das emoções vivenciadas já passou por uma série de nomenclaturas: controle emocional; regulação emocional; manejo emocional. É interessante perceber que cada expressão vem carregada de uma forma de percepção da emoção e do lugar que lhe é destinado.

  • Controle emocional

Quando a intenção era controlá-la, parte do pressuposto que a emoção precisa ser contida, não é bom que ela transpareça (influenciado pelos filósofos que pregavam que a emoção era resquício animal e segui-las era como ignorar nossa racionalidade humana, de seres mais evoluídos).

  • Regulação emocional

Já é definida como “adaptação do ser frente a situações intensas, com emprego de estratégias que possibilitem a volta ao equilíbrio e ao bem-estar físico e psíquico” (CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2010). Nesse caso se reconhece a importância da emoção, mas, porém ela deve ser regulada e não deve extrapolar.

  • Manejo emocional

Propõe um autogerenciamento afetivo que envolve estratégias para aumentar ou diminuir os componentes da resposta emocional de acordo com a função da emoção e objetivos a serem alcançados e o contexto (MOCAIMBER et al, 2008). Ou seja, não existe a forma correta ou intensidade aceitável, existe é uma adequação á cada situação.

 

Recentemente vimos, por exemplo, que em situação de violação dos direitos e dominação, às vezes é a fúria que vai engendrar o mecanismo de mudança. Como no caso estupro coletivo de uma jovem no Rio de Janeiro em que a perpetuação da indignação das mulheres sensibilizadas, como uma reação bem intensa, foi capaz de mudar a forma como as investigações eram conduzidas. Também precipitou que o senado propusesse penas mais rigorosas para o crime de estupro coletivo que sequer estava previsto no código penal brasileiro. Ou seja, temos que possibilitar que as nossas emoções nos guiem para as atitudes que vão restabelecer o equilíbrio da nossa vida, o nosso bem estar.

 

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO EMOCIONAL

abraçoEmbora isso parecesse algo linear, muitas vezes é obscuro e difícil, até mesmo porque não fomos educados a entrar em contato com nossas emoções e interiorizar as nossas vivências. Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo e em modo automático, sem um tempo devido para a assimilação. A falta de contato com esses aspectos geram o que Kotsou (2011) chama de emoções mal orientadas. Elas exercem efeitos negativos sobre a saúde mental; ansiedade, depressão, transtornos do sono e alimentares… E sobre a saúde física também (gastrites, dermatites e outros tipos de somatizações).

Além do mais, o contato com as nossas emoções é importante para a qualidade das nossas relações. Baseado no que sentimos diante de cada situação, tomamos um parâmetro para agir com os outros. Cuidando para que as nossas atitudes tenham aquele efeito desejado e minimizando os impactos negativos. Conhecer como reagimos sob efeito de uma emoção é primordial para a empatia.

Dada a  importância que foi apresentada sobre o domínio no campo emocional,  eis alguns requisitos para se ter bom manejo das emoções:
  • Conseguir entrar em contato com os nossos estados interiores;
  • Conhecer sobre as emoções: como elas se manifestam (nível orgânico, cognitivo e no comportamento). Ex.: O medo desencadeia sensações fisiológicas como frio na barriga, suor nas extremidades, falta de ar. A pessoa com medo por ter pensamentos do tipo “não vou dar conta”, “está tudo perdido”, “não vai dar certo”, “vou morrer”. E pode ter comportamentos como correr, se esquivar ou paralisar diante da situação que provoca medo.
  • Saber em que tipo de contexto ou circunstância desencadeia cada emoção e qual necessidade ela faz aflorar ou qual o objetivo.
  • É preciso ter uma eficiente linguagem emocional que envolve a comunicação verbal e não verbal.
  • É preciso saber também como me comportar diante de tudo que sinto e seguir esse mesmo processo ao que diz respeito às emoções que os outros vivenciam.

 

CAMINHOS E TÉCNICAS PARA A EDUCAÇÃO EMOCIONAL

Bom, esses são alguns passos que podem ser colocados em prática, mas nem sempre é simples praticar o autoconhecimento. Muitas vezes precisamos lançar mão de algumas técnicas e suporte que possam conduzir esse caminho. Dentre elas temos o acompanhamento psicoterápico. Onde um profissional vai ser o facilitador para que o indivíduo entre em processo de auto-reflexão e autoconhecimento.

Outra técnica que tem sido muito indicada atualmente, não apenas para essa questão, mas como uma prática que gera vários benefícios é a meditação. Os interessados podem fazer consulta pelo termo de mindfulness. Alguns se interessam por uma prática mais dinâmica e podem se beneficiar da prática do yoga, artes marciais, aulas de teatro e experiências artísticas como um todo.

A verdade é que cada pessoa tem afinidade com um tipo de caminho para entrar em contato com as suas questões. O que não pode é desistir de caminhar. Pois, quando alcançamos o domínio do campo emocional é um salto nas experiências de vida. Um benefício que não tem como mensurar!

Referência Bibliográfica:

  • CRUVINEL, M.; BORUCHVITCH, E.  Regulação emocional: a construção de um instrumento e resultados iniciais. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 15, n.4, p. 537-45, jul./set. 2010.  Acesso em: 11 set. 2011.
  • KOTSU, Ilios. Caderno de exercícios de inteligência emocional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. (Coleção Cadernos: praticando o bem-estar).
  • MOCAIBER, I. et al. Neurobiologia da regulação emocional: implicações para a terapia cognitivo-comportamental. Psicol. Estud., Maringá, v.13,n. 3 set. 2008. Acesso em: 13 jan. 2010.
  • STALLARD, P. Guia do terapeuta para os bons pensamentos- bons sentimentos: utilizando a terapia cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes. Porto Alegre: Artmed, 2007.
  • THALMANN, Yves-Alexandre. Caderno de exercícios para viver a raiva de forma positiva. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. (Coleção Cadernos: praticando o bem-estar).

Sobre o autor:


Nathalia Vieira | Neuropsicologia e Psicoterapia| CRP 04/28.003 |  

Psicóloga e Mestre em Neurociências pela UFMG, pós-graduada em Neuropsicologia pela FUMEC. Atua com atendimento Psicoterapêutico, Avaliação Neuropsicológica e Orientação Profissional e de Carreira. Docência em cursos de graduação e pós-graduação de Psicologia e Psicopedagogia e capacitações em instituições de ensino.

Agende sua consulta: 31. 99903-6225 | nathalia@dialogopsi.com.br

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Nathalia Santos da Costa Vieira
Psicóloga e Neuropsicóloga na

Psicóloga | CRP é 04/28.003

Psicóloga e mestre em Neurociências pela UFMG, pós-graduada em Neuropsicologia pela FUMEC. Experiência clínica em Atendimento Psicoterapêutico, Avaliação Neuropsicológica e Orientação Profissional e de Carreira. Experiência em docência em cursos de graduação, pós-graduação de psicologia e psicopedagogia e capacitações em instituições de ensino. Psicóloga na Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Nova Lima.

Contatos: (31) 99903-6225 | nathalia@dialogopsi.com.br